Iraquianos contra a ocupação

<em>Yankees</em> fora do Iraque

Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se sábado, em Bagdad, contra a ocupação norte-americana e pela soberania do povo do Iraque.

«O povo reafirmou o direito à soberania»

No dia em que as tropas ocupantes assinalaram dois anos sobre a conquista da capital iraquiana, dezenas de milhares de xiitas, sunitas e membros de outras organizações religiosas e políticas marcharam pelo centro de Bagdad unidos pelo repúdio comum à presença anglo-americana no país.
As imagens de escassas dezenas de pessoas aplaudindo a queda simbólica de uma estátua do presidente Saddam Hussein, deram lugar, na mesma praça, a uma impressionante moldura humana que rejeitou a ocupação e a pilhagem dos recursos do Iraque.
A iniciativa decorreu sem incidentes, tal como haviam pedido alguns dos mais influentes líderes religiosos que se associaram ao protesto, e a violência deu lugar a uma expressão de vontade colectiva na qual o povo reafirmou o direito à total soberania sobre o seu próprio destino e, simultaneamente, exigiu ao governo interino o agendamento da retirada dos militares estrangeiros.
Impressionados com a magnitude da acção de massas, os EUA fizeram saber que ponderam a redução dos efectivos no terreno, declaração seguida de uma inesperada visita de Donald Rumsfeldt ao Iraque, terça-feira, onde se encontrou com o primeiro-ministro, Ibrahim al-Jaafari, o presidente, Jalai Talabani, e o líder curdo Masud Barzani, para transmitir as orientações norte-americanas com respeito ao curso do «processo democrático».

Repressão aumenta

A par do aumento dos confrontos entre grupos da resistência e militares ocupantes, outros dados revelam que a repressão cresce e assume contornos mais extensos que os simples «casos isolados» apresentados pelas chefias militares.
No final do ano passado, os oficiais norte-americanos admitiam ter 4300 iraquianos detidos nos vários estabelecimentos penais. Números revelados recentemente pelas mesmas fontes informaram que esse número aumentou para mais do dobro, cerca de 10500 indivíduos, na sua grande maioria (9300) encarcerados em instalações definitivas.
Assinale-se ainda que entre os presos contam-se mais de uma centena de menores de 18 anos incluindo algumas crianças, facto confirmado por relatos que indicam ter visto pelo menos um menino entre os 8 e os 11 anos.
Ao conjunto de violações conhecidas como práticas correntes do exército norte-americano contra presos iraquianos acresceu, na semana passado, outro dado revelado pelo britânico The Guardian.
De acordo com testemunhos recolhidos pelo jornal, o exército norte-americano raptou duas irmãs como forma de pressionar os restantes elementos da família a denunciarem membros da resistência.
A mensagem deixada pelos militares ameaçava «um longo tempo de prisão» para as mulheres e facultava um número de telemóvel para os potenciais delatores.
Denunciado junto de um jornalista inglês, o caso foi investigado pela imprensa, mas os EUA negam que tais factos tenham acontecido, isto apesar de do outro lado da linha telefónica ter atendido...um soldado norte-americano.


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